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A Pequena Sereia, Copenhaga — a opinião honesta

A Pequena Sereia, Copenhaga — a opinião honesta

Deixe-me contar o que acontece quando a maioria das pessoas vê A Pequena Sereia pela primeira vez.

Caminham ao longo do passeio de Langelinie a partir da Cidadela (Kastellet), seguindo o caminho que o mapa indica levar à atração mais famosa de Copenhaga. Chegam a uma pequena estátua de bronze sentada numa rocha no porto. A estátua tem aproximadamente 1,25 metros de altura — cerca da altura de uma criança de dez anos. É menor do que a fotografia sugeria. Há trinta ou quarenta outras pessoas reunidas à volta dela, muitas delas a segurar telemóveis. É difícil aproximar-se. A estátua está perto da água, mas não está posicionada de forma dramática — não há nenhum penhasco, nenhuma rocha varrida pelas ondas, nenhum fundo particularmente impressionante. Há o porto, alguns pilares e um passeio pedonal.

A maioria das pessoas olha para ela durante três a sete minutos e depois vai embora.

Isto não é exatamente uma falha da estátua. É uma falha na calibração das expectativas. A Pequena Sereia tem estado em todos os postais de Copenhaga, em todos os cabeçalhos de sites de turismo e em todas as listas de “as dez melhores coisas para ver em Copenhaga” durante 112 anos. As expectativas com que chega são impossíveis para uma escultura de bronze de 1,25 metros satisfazer.

Eis a minha opinião honesta sobre se vale a pena visitar, quando ir se for, e o que fazer em alternativa.


O Que A Pequena Sereia Realmente É

A estátua foi criada pelo escultor Edvard Eriksen e instalada em 1913, encomendada por Carl Jacobsen (da família de cervejeiros Carlsberg). Foi inspirada no conto de fadas de Hans Christian Andersen com o mesmo nome — uma sereia que abdica da sua voz e da sua cauda de peixe para ter a oportunidade de ganhar uma alma humana, acabando por fracassar e dissolver-se em espuma do mar. O modelo para o corpo da estátua foi a esposa de Eriksen, Eline; o rosto foi baseado na prima-bailarina Ellen Price.

A estátua teve uma vida complicada. Foi vandalizada repetidamente — decapitada duas vezes (1964 e 1998), teve um braço serrado (1984), foi coberta de tinta em várias ocasiões e em 1984 foi temporariamente substituída por uma réplica enquanto o original estava a ser reparado. Em 2010, a estátua original foi temporariamente transferida para Xangai para a Expo Mundial, o que pareceu confirmar que o original e uma réplica são funcionalmente o mesmo objeto.

Nada disto a torna menos interessante como peça de história cultural. Mas sugere que o significado da estátua é primariamente simbólico e associativo, em vez de visual.


O Problema da Escala

A coisa que mais surpreende os visitantes é a escala. Com 1,25 metros de altura e pesando 175 quilogramas, a estátua não é imponente. Para comparação:

  • A Estátua da Liberdade tem aproximadamente 93 metros da base à tocha
  • A Fonte de Gefion de Copenhaga, a cinquenta metros de A Pequena Sereia no mesmo passeio, é substancialmente maior e mais visualmente dramática
  • O Castelo de Rosenborg, onde estão alojadas as Joias da Coroa, ocupa um quarteirão inteiro da cidade

Se chegar esperando uma escultura cívica monumental, ficará surpreendido. Se chegar esperando uma figura de bronze modesta e cuidadosamente executada que recompensa mais a inspeção de perto do que a distância, ficará menos desapontado.


Deve Visitar?

Sim, se:

  • Passa 3 ou mais dias em Copenhaga e Langelinie está de qualquer forma no seu percurso
  • Tem filhos que conhecem a versão Disney de A Pequena Sereia e que se importarão de ver a inspiração original
  • Quer a fotografia para referência pessoal e não porque espera que seja espetacular
  • Chega de navio de cruzeiro pelo cais de Langelinie, caso em que a estátua fica a cinco minutos a pé

Não, se:

  • Tem tempo limitado (um ou dois dias) e está a fazer escolhas sobre o que priorizar — o tempo é melhor gasto no Castelo de Rosenborg, no Designmuseum ou num passeio de barco pelo canal
  • Visita durante o pico do verão (julho-agosto) entre as 10h00 e as 16h00, quando a estátua está mais lotada e menos fotogénica
  • Espera uma atração visualmente dramática e grandiosa — não é isso

Quando Ir se For Visitar

O melhor momento para visitar A Pequena Sereia é de manhã cedo de maio a setembro: chegue entre as 7h00 e as 9h00 antes dos grupos de visita. Nessa janela, com boa luz, com a água do porto calma e o passeio tranquilo, a estátua tem um apelo genuíno. O bronze tem uma qualidade particular com a luz da manhã cedo. Pode aproximar-se da rocha, examinar o detalhe da figura de perto, e compreender porque é que a arte de Eriksen foi respeitada mesmo por aqueles que acham o tema sentimental.

O pior momento: das 11h00 às 15h00 em julho e agosto. O passeio está lotado, a estátua está rodeada e a experiência visual é primariamente a de telemóveis de outras pessoas.


O Passeio de Langelinie: O Que Ver em Alternativa

A abordagem mais eficiente a A Pequena Sereia é tratá-la como um ponto num passeio mais longo em vez de um destino em si mesmo. A área de Langelinie tem várias outras coisas que merecem ser vistas:

Kastellet (A Cidadela): Uma fortaleza em forma de estrela do século XVII ainda utilizada pelo exército dinamarquês, com muralhas de terra intactas, um moinho de vento a funcionar, uma igreja e fossos. Gratuita para entrar e explorar. Mais interessante do ponto de vista arquitetónico do que a estátua da sereia, consideravelmente menos lotada e fotografa bem em todas as condições. Calcule 30 a 45 minutos.

A Fonte de Gefion: A cinquenta metros de A Pequena Sereia, uma grande fonte de bronze representando a deusa nórdica Gefion a lavrar a terra com os seus filhos (transformados em bois). Mais dramática visualmente, em grande parte ignorada pelos turistas. Gratuita, sempre acessível.

Churchillparken: O parque entre Kastellet e Amalienborg, com o nome de Winston Churchill, contém o memorial a Churchill e a Igreja Inglesa de St. Alban — uma igreja Neo-Gótica construída em 1887 que é genuinamente atraente e raramente visitada.

Palácio de Amalienborg: A 20 minutos a pé de A Pequena Sereia, a residência de inverno da família real dinamarquesa. A guarda muda diariamente ao meio-dia e vale a pena ver se os seus horários coincidirem. Os quatro palácios idênticos dispostos em torno de uma praça octogonal, com a estátua equestre de Frederico V ao centro, constituem uma das peças de urbanismo Rococó mais elegantes do norte da Europa.


A Alternativa do Autocarro Hop-On Hop-Off

Muitos percursos de autocarro hop-on hop-off em Copenhaga param em A Pequena Sereia. Se já está a usar um autocarro hop-on hop-off como método de visita, a paragem não exige esforço adicional e fornece um contexto razoável (os guias de áudio normalmente explicam a história da estátua).

O percurso a pé de Nyhavn por Frederiksstaden até Kastellet, passando por A Pequena Sereia, e de regresso por Amalienborg demora aproximadamente 2,5 a 3 horas a um ritmo confortável e cobre o suficiente da frente de água oriental para se sentir completo. Esta é provavelmente a melhor forma de incorporar a estátua num dia em Copenhaga sem que pareça um desvio desperdiçado.


A Conclusão Honesta

A Pequena Sereia vale quinze minutos da sua visita a Copenhaga, não uma hora. É uma escultura pública bem executada com uma história longa e algo absurda, posicionada numa agradável frente de porto, rodeada por todos os lados de coisas mais visualmente interessantes que a maioria dos visitantes ignora porque não estão no postal.

Vá cedo, passe quinze minutos, fotografe o que quiser fotografar, caminhe até à Fonte de Gefion, continue até Kastellet e termine em Amalienborg para a troca da guarda ao meio-dia. É uma manhã bem aproveitada. A Pequena Sereia como destino único não o é.

As pessoas perguntam se “vale a pena”. Vale quinze minutos. Não vale uma hora de uma visita limitada a Copenhaga. Gerencie as expectativas, escolha bem o horário e ela ganha o seu lugar na sua manhã. Esta é a opinião honesta.